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SENTIDO DA EDUCOMUNICAÇÃO NA SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

(Ir. Ana Teresa Pinto – BRJ)

Até a metade do século passado, comunicação e Educação caminhavam separadamente, seguindo cada uma seu campo específico. A partir de então, alguns fatores históricos e sociais tiveram um desenvolvimento acelerado, dando origem às profundas mudanças na relação entre os dois campos, criando neles áreas de interseção e de interpenetração cada vez mais nítidas. A aproximação entre comunicação e Educação implica, portanto, quatro áreas bem definidas: Educação para a comunicação, constituída pelos programas de formação de receptores autônomos e críticos frente aos meios e mensagens; área tecnológica educacional, caracterizada pela utilização de instrumentos tecnológicos nos processos educativos; gestão de processos comunicacionais, voltada para o planejamento, execução e realização dos processos e procedimentos que se articulam no âmbito da Comunicação/Cultura/Educação e a área epistemológica, que se dedica à pesquisa e aos aprofundamentos no próprio campo da interrelação comunicação/Educação.

O entorno social, como se vê é cada vez mais comunicacional. As tecnologias de comunicação e de informação estão presentes nos mais diferentes ambientes, não apenas servindo de instrumentos ou canais, mas também prescrevendo comportamentos, atitudes, saberes e linguagens. Em outras palavras, eles estão produzindo cultura. Martín Barbero (1996) afirma que os meios de comunicação e as tecnologias da informação significam para a escola, em primeiro lugar, um desafio cultural que torna visível a distância cada dia maior entre a cultura ensinada pelos educadores e aquela outra aprendida pelos educandos. Assim, diante do exposto, entende-se que é apenas a partir da compreensão da tecnicidade mediática, como dimensão estratégica da cultura, que a escola pode inserir-se nos processos de mudança que atravessam a sociedade.

As novas tecnologias dão passo, então, a uma nova cultura, a cultura midiática. As novas tecnologias, ao se disseminarem pela sociedade, levam a novas experiências e a novas formas de relação com o outro, com o conhecimento e com o processo de ensino-aprendizagem. Atualmente, as novas tecnologias, especialmente as que estão ligadas às chamadas "mídias interativas", estão promovendo mudanças na Educação, num processo que parece estar apenas começando. Para alguns educadores, elas são absolutamente desconhecidas. Uma parcela teve algum contato ou usa com alguma frequência estas tecnologias. Num primeiro momento, novas tecnologias são uma novidade que requer adaptação em termos operacionais. É preciso aprender a mexer com equipamentos, a trabalhar com programas e assimilar conceitos e vocabulário próprios de uma nova área. Mas, além disso, estas tecnologias levam a novas experiências em um sentido mais profundo. No mundo da comunicação mediada por computador vive-se em outro espaço e tempo, diverso do tempo e do espaço vividos no mundo da comunicação de oralidade primária e da cultura escrita.

A mediação tecnológica na Educação compreende os procedimentos e as reflexões em torno da presença e os múltiplos usos das novas tecnologias da informação, propõe à comunidade educativa a utilização dos recursos tecnológicos a partir de uma perspectiva cidadã, o que implica a democratização do uso das tecnologias em torno de projetos solidários como exercício de uma autêntica prática comunicacional.

O investigador e educomunicador Alfonso Gutiérrez, em sua obra Educación multimedia y nuevas tecnologias (1995), aponta para uma Educação multimídia que, fazendo uso das tecnologias predominantes em nossa sociedade atual, permita ao educando conseguir alcançar os conhecimentos, destrezas e atitudes necessários para: comunicar-se (interpretar e produzir mensagens) utilizando distintas linguagens e meios; desenvolver sua autonomia pessoal e o espírito crítico, que o capacita para formar uma sociedade justa e multicultural, convivendo com as inovações tecnológicas próprias de cada época.

Gutiérrez (1995) considera necessário que a Educação multimídia se dirija não só aos educandos como também aos educadores em formação e no serviço ativo. A UNESCO publicou em 1992 The state of the art and beyond, uma reflexão sobre a evolução da Informática no contexto educativo. No segundo capítulo do documento, Bernard Levrat assinala alguns temas fundamentais de reflexão sobre as tecnologias nas escolas: a inovação tecnológica é uma realidade que preocupa a todos: empresas, indústrias e universidades, e, portanto, não é um problema exclusivo do sistema educativo; os computadores devem chegar aos educadores e educandos juntamente com o treinamento e estruturas adequados; as estratégias de utilização de novas tecnologias devem ter, como ponto de partida, a realidade de quem as utiliza. Tal documento reconhece que a presença das novas tecnologia